Artistas em movimento pela Cultura

Na última edição do Jornal Local mostramos a situação da Casa de Cultura e Cidadania Antonio da Costa Santos, em Sousas. Relatamos que não existem verbas vindas da Prefeitura e que ela conta apenas com parcerias com empresas privadas. Além disso, há carência de um projeto cultural para a Casa e há três anos não há contratações de Oficinas Culturais.

Mas, o que pode ser feito para promover a Cultura no distrito, com ou sem apoio da Prefeitura? Reunimos um grupo de artistas de Sousas e Joaquim Egídio para debater o tema. Participaram do primeiro encontro o ator e produtor teatral Ton Crivellaro e o agente cultural João Batista de Paula Funchal. Em uma segunda reunião, participaram as artistas plásticas Avany Botelho Costa e Maria de Fátima Botelho Costa.

A primeira ação, sugerida por Funchal, é lutar pela “legalização” das Casas de Cultura, uma vez que elas não estão no organograma da secretaria de Cultura. Uma reforma na atual sede da Casa em Sousas e a construção de um mezanino, para não perder equipamentos em enchentes, também são reivindicações do agente cultural.

Usando como exemplo a Associação dos Produtores Teatrais de Campinas (APTC), que promove anualmente a Campanha de Popularização do Teatro (um dos eventos culturais com maior índice de público na cidade), o presidente da APTC, Ton Crivellaro, sugeriu que fosse criada uma administração regional de Cultura, uma espécie de secretaria paralela.

Uma das atividades, sugeridas pelos artistas, é fazer uma Casa da Cultura e Cidadania itinerante, ensinando teatro, música, artesanato e dança nas regiões mais carentes dos distritos: “Nós temos que mostrar que a arte pode ser popular. Você vai à periferia e vê pessoas com talento em dança, em música e em teatro. Nossos impostos não são usados pra isso, estão indo para Carnaval e Festa Junina. Tem que ter oficinas culturais permanentes e não de três em três meses”, disse Funchal.

Outra sugestão do agente cultural é fazer uma peça experimental que ocupe toda a sede da Casa da Cultura, com jovens maiores de 15 anos que nunca fizeram teatro: “Naquela casa dá para fazer tudo. Ela é multiuso, tem três salas, sendo uma maior para apresentações e um corredor que pode ser utilizado para exposições”.

Para as artistas plásticas Avany e Maria de Fátima, uma outra sugestão para revitalizar Sousas seria transformar a trilha da Estrada do Bonde em parque linear: “Deveria ter o acompanhamento de um arquiteto e um paisagista”, opina Avany. No site da prefeitura de Campinas, este local já é considerado parque.

Os quatro artistas concordam que é necessário uma revolução cultural em Sousas, captando recursos e investindo na arte regional: “Aqui é uma região rica, que absorve cultura. A Prefeitura tenta tornar a região um ponto de referência turística, mas não investe em cultura”, disse Crivellaro. “A população de Sousas consome cultura, vai de você traze-los, mostrar algo diferente. A população pode não se identificar com música, mas se identifica com teatro”, conclui Funchal.

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Renata Sunega pede para que a comunidade ocupe os espaços públicos

Renata Sunega é arquiteta, com mestrado em História da Arte na Unicamp. Entrou na administração pública no final do primeiro ano do governo Hélio como coordenadora de Extensão Cultural, função que exerceu por três anos. No segundo mandato de Hélio trabalhou com Projetos Especiais no Departamento de Comunicação. No último mês de janeiro, foi nomeada secretária de Cultura. A reportagem do Jornal Local esteve, na manhã do dia 15, na secretaria de Cultura para entrevistá-la. Foram debatidos importantes temas para o desenvolvimento cultural de Sousas e Joaquim Egídio.

Jornal Local – A casa de Cultura de Sousas está um pouco abandonada, não é? Quais investimentos vão para lá, para reverter esta situação?

Renata Sunega – Sim, ela está. Nós temos muitos equipamentos culturais precisando de manutenção e reparos, mas o orçamento público é muito limitado, ainda mais em ano de contingenciamento. Em Sousas e Joaquim Egídio temos três espaços que precisam ser assistidos de outra forma pela secretaria de Cultura: a Casa de Cultura e Cidadania, a biblioteca e o salão em frente à subprefeitura de Joaquim Egídio. Estamos fechando um edital para oficinas na Casa de Cultura, ele será publicado ainda no primeiro semestre. Temos a biblioteca de Sousas, que mudou de lugar e agora tem um espaço externo que podem ser utilizado para diversas atividades. Estamos tentando uma parceria com o meio ambiente para algumas realizações, tanto na biblioteca, na chamada Sala Verde, como para a área complementar da Casa de Cultura, mas não podemos negar o problema que existe lá, que são as enchentes.

Em Joaquim Egídio temos um salão, em frente à subprefeitura, que é muito mal utilizado. Queremos fazer exposições temporárias, é um local pequeno, mas é um espaço cultural que vale a pena. O que cabe à Cultura neste momento é a recuperação do equipamento da Casa Cultural de Sousas, nada que vá uma grande quantidade do orçamento.

JL – Devido as constantes enchentes, não seria o caso de mudar a Casa de Cultura de imóvel?

RS – Ela é diferente da biblioteca, que era um contrato de locação. Não posso fechar um equipamento e gastar dinheiro público com o aluguel de outro lugar. Independente das enchentes, essas atividades, que são mais rotativas, podem acontecer.

JL – Há três anos não existem contratações de oficineiros?

RS – Não é a informação que eu tenho. Tinham algumas oficinas sim, de capoeira, por exemplo. Não tenho, neste momento, o detalhamento de onde elas atuavam e qual a periodicidade.

JL – Como estão as demais Casas de Cultura?

RS – As que dependem de oficina estão na mesma situação, as que têm alguma movimentação de comunidade estão abertas. Cabe à sociedade de Sousas e Joaquim Egídio ocuparem o espaço público. Eu sei que tem muitos artistas plásticos em Joaquim, eles poderiam enviar um calendário de exposições para o espaço da subprefeitura. Com certeza será muito bem vindo. Queremos que a comunidade participe.

JL – Ano passado foram executados 10 milhões para a Cultura, mas o orçamento inicial era de 49 milhões, sobrou dinheiro?

RS – Se sobrou, a secretaria quer! Manda pra cá!(risos). Este ano temos um orçamento com grande parte contingenciada, isso não é só na Cultura. Oficialmente você tem um orçamento, um contingenciamento e os gastos que são aprovados.

JL – Existem, cerca de, 16 agentes culturais contratados, que tinham como função inicial desenvolver a Cultura nas periferias, onde eles estão agora? Não estão sendo mal utilizados?

RS – Eles estão completamente distribuídos pela secretaria. Não estão centralizados em uma ação única, mas fazem atividades ligadas às Ações Culturais.

JL – Já existe algum projeto definido para os nossos distritos?

RS – Tenho uma planilha, na qual faço o planejamento de atividades baseado no orçamento disponibilizado, e devo apresentar para o Prefeito. Ela está praticamente pronta. Além das oficinas, queremos trabalhar em Sousas com teatro e contação de histórias na praça.

JL – Qual sua opinião sobre parcerias da iniciativa privada com a administração pública?

RS – Apesar das limitações orçamentárias, a cultura tem uma vantagem em relação às outras áreas, que são os investimentos ligados ao governo do estado e governo federal que dão isenção de impostos às empresas. A gente tem, também, a lei municipal de investimento, que é o FICC. Várias empresas que teriam dinheiro para investir na formação cultural em periferia preferem investir em grandes shows em casas fechadas de Jaguariúna. Se essas empresas ajudassem à cultura campineira, o nosso orçamento poderia ser totalmente utilizado para cuidar dos equipamentos culturais.

JL – Você tem conhecimento sobre a existência de funcionários fantasmas na secretaria de Cultura?

RS – Eu gostaria que você me passasse os nomes para eu caçar. (risos). Existem os equipamentos e estes funcionários são mais difíceis de fiscalizar. Eles estão subordinados a alguém, que assina este ponto de freqüência e se responsabiliza por isso. Se eu não recebo a denúncia, não posso questionar, não tem como fiscalizar. Quem assina não são os pseudo-fantasmas, alguém está dizendo que ele trabalha. Tanto quanto o fantasma, a pessoa que assina é responsável. A denúncia anônima é bem vinda e comprovando a não frequência deste funcionário, tanto ele quanto quem assina vão ter que responder um processo interno e se forem funcionários públicos podem ser punidos.

JL – Como os artistas devem proceder para produzir cultura dentro da Casa de Cultura?

RS – É só mandar o projeto, dizendo qual atividade será feita e duração. As ações em uma Casa de Cultura têm que ser culturais. Não é nem a questão de aprovação ou rejeição, é garantir que o objetivo principal daquele espaço seja cumprido. E também para a gente saber o que está sendo produzido, em termos culturais. Podem e devem mandar os projetos culturais. Serão bem vindos.

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Tom Jobim 84º

Jobim faria 84 anos neste dia 25

Tom Jobim faria 84 anos, hoje, dia 25 de janeiro, se estivesse vivo. Para muitos, Tom Jobim faz 84º, hoje dia 25, pois ele não morreu. Maestro, músico, pianista, cantor, compositor, Jobim levou a música brasileira para o mundo. Carregou, literalmente, o Brasil em seu nome (Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim).

 

 

 

Suas músicas estão por ai. Não é difícil nos depararmos com elas na TV ou no rádio. Sua música inspira e aspira coisas boas. Sua parceria com Vinicius de Moraes, a principal das várias parcerias realizadas, é lembrada até hoje como uma das mais fantásticas de todos os tempos. Não é demais comparar com Lennon e Mccartney. Claro, se trata aqui de estilos diferentes. Mas a importância da música e o que ela lhe causa são efeitos parecidos.

 

Em tempos de chuva, caos, tragédia e enchentes, enquanto as autoridades políticas nada fazem pelo povo e dedicam o tempo e nosso valioso dinheiro em obras de modernização de estádios de futebol, ouçamos Águas de Março e torcemos para um novo começo de vida. (“São as águas de março, fechando o verão e a promessa de vida no seu coração”)

 

Portanto, hoje, a nossa homenagem ao grande maestro brasileiro será deixá-los com algumas músicas de Tom Jobim. Músicas que mais parecem uma onda (Wave) calma, num final de tarde.  

 
Wave

Desafinado

Samba do Avião

Samba de uma nota só

Gartoa de Ipanema

 

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